sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Deus: sua existência justiça e amor ( Lino Bittencourt )

Ninguém nasceu ateu, apenas não lhe apresentaram Deus de forma esclarecedora e conveniente. O ateu nega a existência de Deus e ninguém nasceu negando, foi necessário formar uma concepção em torno do criador para depois nega - lo.
Da mesma forma que há os que acreditam em Deus por interesses e que barganham com o criador como se fosse ele um péssimo comerciante há os que não acreditam porque esse mesmo criador não corresponde as suas perspectivas mesquinhas.
Eis o meu credo:
Eu acredito em Deus. Eu sei que existe um criador.
Não penso nesse Deus que homens fizeram, mas no Deus que fez os homens.
O Deus que é a inteligência suprema e causa primaria de todas as coisas; O Deus Único, Imaterial, Eterno, Onipotente, Onipresente, Onisciente e Soberanamente Justo e Bom. O Deus que criou o ser humano a sua imagem e semelhança. E qual é essa semelhança? Jesus ao dialogar com uma samaritana a beira do poço de Jacó assevera que Deus é espírito que importa adora-lô em espírito e verdade; eis a essência dor ser humano, espiritual.
Acredito que os espíritos são imortais, ou seja, jamais terá um fim, tudo pode acontecer, mas, nada destruí-los, nem mesmo a morte do corpo biológico.
Sei também que não existem demônios, satanases e diabos conforme prega a tradição dominante e da mesma forma não existe, nessa mesma concepção tradicional, os anjos.
A palavra demônio é derivada do grego daimon que quer dizer ser espiritual e não é necessariamente bom e nem mal. Sócrates dizia ter um daimon que lhe dava bons conselhos. Logo esse demônio era um bom espírito que o assistia na sua missão entre os homens.
A palavra satanás quer dizer adversário do bem e Diabo aquele que espalha com objetivo de separar, de desunir, portanto nenhuma das duas palavras indica um ser, uma individualidade criada por Deus para ser eternamente mal.
Já a palavra anjo também é originária do grego ângelus que quer dizer: Mensageiro e não um ser já criado perfeito.
Portanto, não há seres voltados eternamente para o mal e também não há os já criados perfeitos com todas as virtudes adquiridas.
Que existe?
Existem os espíritos, como já dissemos que são criados simples e ignorantes.
Para evoluírem é necessário desenvolverem o intelecto e a moral.
Para se desenvolverem qual é o tempo necessário? Uma vida de 80 anos?
Por mais pródigo que pareça um homem uma existência física é muito pequena para desenvolver toda ciência e todas as virtudes. Temos acompanhado brilhantes cientistas se dedicarem a vida toda em pesquisar um vírus ou então uma bactéria, há os que estudam durante toda a vida para deixarem uma base para seus continuadores. Será possível em uma única experiência terrena ter ciência e com profundidade da astronomia, da física, da biologia, da medicina, da psicologia, da astrofísica, da filosofia, etc.
Essas reflexões leva a lembrar o dialogo de Jesus com Nicodemos:
“ Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos que foi ter com o mestre a noite e ao se aproximar disse: - mestre sabemos que viestes da parte de Deus, pois ninguém realiza as maravilhas que tem feito se não estivesse com ele. E Jesus respondeu : em verdade em verdade te digo que é necessário nascer de novo”.
Ora o fariseu não se dirige ao cristo com um questionamento e sim com admiração e o elogia. E que faz Jesus? Aproveita para ensinar. Quando elogiado pelo fariseu é como se dissesse: - Está admirado com as minhas capacidades Nicodemos? Em verdade te digo, para chegar onde estou é necessário nascer de novo.
Uma única vida terrena não faculta o pleno desenvolvimento do ser espiritual , diz a ciência que os cientistas mais inteligentes da terra não utilizaram 10 % da capacidade cerebral e isso se dá porque o espírito em franco desenvolvimento está apreendendo ainda a trabalhar com os recursos que o cérebro tem apresentado.
Hoje é possível entender que para continuar apreendendo, aprimorando e desenvolvendo o ser espiritual é preciso Reencarnar, voltar a nascer, é imprescindível a pluralidade das existências físicas que permite ao espírito aprimorar todas as suas faculdades.
O ser que se equivoca não ficará condenado ou então confinado eternamente em um inferno criado pela mente humana para punir e castigar, e assim passará a resgatar o seu equivoco com situações por vezes difíceis e dolorosas, e isso não é punição e muito menos será eterna, mas a lei de causa e efeito, pois, quem planta vento colhe tempestade. É interessante saber também que novos tempos para novos plantios viram e que mais amadurecidos pelas experiências saberá o ser escolher melhor as sementes a serem semeadas.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Entrevista: Amit Goswani

Deixarei que o vídeo explique:
Caso queiram, a tese de doutorado citada pode ser baixada no link: http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000249895
Aguardo manifestações!



Recapitulando a Evolução Espiritual

Em 1866 Ernst Haeckel, com base no desenvolvimento embriológico dos animais, elaborou a Teoria da Recapitulação. Em resumo diz: a ontogenia (desenvolvimento dos corpos) recapitula a filogenia (a história evolutiva). Com algumas modificações na interpretação dos fatos observados no desenvolvimento dos embriões, essas idéias são aceitas atualmente, interpretando que a vida sempre baseará modificações em formas anteriores, por ser uma via mais provável que começar uma forma do nada.
Agora devaneando (!): podemos extrapolar esse entendimento para recapitularmos o desenvolvimento psicológico? E espiritual?
Já alerto, no entanto, para o perigo de tais tentativas, pois esse tipo de extrapolação foi a mesma utilizada pelos darwinistas sociais e tantos outros. Porém a compreensão dos passos evolutivos dados individualmente, em meu entendimento, são essenciais para o auto-conhecimento. Alguém topa o desafio?!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Questões fundamentais

Tudo bem, já entendemos: somos animais, assim como os demais que encontramos sobre a face da Terra. Evoluímos, ou seja, modificamos seguindo as mesmas leis naturais (Darwin, 1859). Somos primatas. Nossas características biológicas surgem como estratégia de sobrevivência, desde os sentidos até a inteligência. Também sobrevivemos após a morte do corpo biológico (Kardec, 1857). Continuamos a nos relacionar e, de alguma forma não entendida profundamente, tendemos à perfeição. Sabemos isso porque temos notícias desses mais progredidos. Não sabemos quais são as características psicológicas de um ser perfeito, apenas temos pálidas interpretações de alguns, que obviamente dão sua opinião própria ou a leitura que fazem desses superiores. Também sabemos da reencarnação, apesar de não estar muito claro ainda a relação perispírito-corpo biológico.
Entendemos, não completamente, mas pelo menos explicamos alguns fatos pelas leis de causa e efeito, progresso, trabalho, liberdade, amor, justiça e caridade.
Esse parece ser o cenário de um mundo exterior.
Em contrapartida: o que sabemos “da cabeça pra dentro”? Torturamo-nos constantemente, criamos regras morais/sociais e achamos que isso é parte da criação da natureza. Para um simples desejo não conseguimos encontrar a verdadeira fonte de origem: é biológico (hormonal, genético, etc)? É questão de consciência? É influência social (dos encarnados) ou obsessiva (dos desencarnados)? É uma questão de caráter? Ou uma mera (!) questão psicológica...?
Esse é um cenário interno que precisamos levar mais a sério para entendermos a complexidade do todo.
Parece que não somos apenas um ser racional, acima do nosso lado animal. Herdamos todas as características biológicas. E não somos livres mentalmente: parece que herdamos também nossas características psicológicas, apresentamos Tipos Psicológicos (Jung, 1921), transmitida de forma gênica (?) ou extra-gênica (culturalmente). Na verdade não somos seres racionais, acima do resto que nos complementa, somos seres inconscientes com meros lampejos conscientes. É isso que demonstra alguns estudos da psicologia.
Porém como conciliar os fatos reencarnatórios na determinação do inconsciente? Como avaliar o grau de influência dos seres que convivemos (encarnados e desencarnados)? Qual a influência de nosso corpo biológico? O que é vontade? Quais são os patamares evolutivos (no entendimento psicológico) que vamos passar?
Talvez essas sejam questões fundamentais...

domingo, 24 de agosto de 2008

Uma questão de consciência

Há psicóticos que nunca mataram uma mosca, refugiando em si mesmos e há psicopatas capazes de massacrar populações inteiras.
Há esquizofrênicos que ouvem vozes acusadoras e se perturbam na própria culpa enquanto outros, no auge de suas alucinações, que cometem assassinatos ou se suicidam.
Há desequilíbrios hormonais que explicariam o excesso de excitação de alguns estupradores, os ataques de fúria de alguns setenciados e a depressão destrutiva dos que buscaram o fim da própria vida, depois de matarem outros.
Milhares de pessoas aderiram ao ideal nazista, coadunando direta ou indiretamente com as barbáries durante a Segunda Guerra, assistindo de perto os absurdos dos campos de concentração, enquanto outros se negaram a participar de tudo isso, refugiando-se ou morrendo para expressar oposição àquela loucura.
A justiça por diversas vezes de vê diante da necessidade de analisar o grau de responsabilidade de um acusado , alegando a existência de outros que, diante da mesmo problema, contexto ou doença, conseguiram agir de forma diferente, evitando crimes e crueldades.
Afirma o Livro dos Espíritos, a liberdade do espírito de poder sempre evitar o mal, ou pelo menos, resistir a ele.
Cada homem, cedo ou tarde, se depara com essa questão, no próprio íntimo, e se pergunta: será que devo, será que posso, será que vou conseguir me segurar?
Fala-se de consciência como se o assunto fosse fácil. "Siga sua consciência" - é uma recomendação sábia, mas também pode ser muito cômoda. Prefiro enfrentar o problema junto com o outro, analisar seus sonhos, escutar suas opiniões, deixâ-lo expressar seus conflitos, rever caminhos e sentimentos. E se depois de tudo isso a pessoa fizer aquilo que eu julgava o mau, não exitarei em respeitá-la e ajudá-la na estrada que optou, pois só Deus sabe porque nos fez dessa forma e nos colocou numa Terra onde é tão difícil fazer a coisa certa.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Only this and nothing more!

Excelente síntese Luciano, parabéns. Relacionar processos psíquicos e biológicos sempre ficou limitado àquela questão: a mente é fruto da matéria ou o espírito é quem controla o corpo? Este tipo de pergunta sugere que já conheçamos, plenamente, qualquer um desses dois! A verdade é que alguém intuiu: "espírito!" e nós logo corremos para explicar o infinito, a partir deste conceito; mais tarde alguém gritou: "matéria!" e lá estamos nós tentando até mesmo nos explicar, a partir desta idéia.
A história demonstra que uma parcela muito pequena de nossa alma está reservada, realmente, para o conhecimento. Mais forte é a tendência religiosa. Por isso a eterna adesão humana a um ismo, querendo tudo explicar a partir de um pacote de princípios, capazes de abranger o universo. Com isso preenche-se o sentimento de insegurança e nos livramos da melancolia, diante de um mundo de incertezas. Criamos até uma filosofia da incerteza para ninguém duvidar do nosso poder!
A postagem abaixo reflete um tipo de raciocínio que se tornou raro nos dias atuais. Demonstra a capacidade de integrar conceitos, observando o processo em sua totalidade, sem querer explicar o psicológico a partir do biológico, e vice-versa, mas refletir sobre leis em comum que regem fenômenos diversos. No princípio achei que o Espiritismo representava, para as pessoas, a proposta máxima dessa visão integradora da vida, mas logo percebi que muitos adeptos acabam fazendo um uso oposto. Porque suas questões tocam no campo da física, biologia e psicologia, há aqueles que pretendem explicar todas essas ciências a partir do Espiritismo. Não raro encontro alguém "forçando a amizade", dando palpites audaciosos sobre assuntos delicados, só porque leram esta ou aquela obra mediúnica. Vejo essa postura como preguiça de alma, uma espécie de refúgio ciumento de quem conquistou uma pequena verdade e agora teme em perdê-la.
Não me refiro à necessidade absoluta de formação acadêmica. Aprendi muito mais fora do que dentro dentro deste meio. Somente alerto, inspirado pelo texto abaixo, para o quanto podemos olhar mais além quando extendemos horizontes mentais e nos deixamos navegar por outros campos de conhecimento, onde homens geniais, ou pesquisadores anônimos, acumularam vasta gama de experiências, dúvidas e idéias, poupando um tempo enorme para os que chegamos depois.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Próprio e não próprio

Uma das áreas mais interessantes da biologia certamente é o estudo imunológico. Um complexo sistema para reconhecer o que é próprio, ou seja, o que pertence ao meu corpo, e o que não é próprio, como outros seres ou qualquer matéria. Essa identificação, porém não é tão certeira, tendo vezes que o corpo reconhece como estranhas as próprias células, gerando as doenças auto-imunes. Outras vezes esse mesmo sistema não reconhece corpos estranhos, dando brechas para instalação de doenças. Parece que no campo psíquico, também, a grande luta da alma humana é buscar o reconhecimento do próprio e não-próprio.

Ainda ontem em nossa reunião de estudos, conversávamos sobre a questão mediúnica, sobre percepções e o que interpretar dessas percepções. Duas visões se formaram, obviamente pautadas na experiência mediúnica, ou não, de cada um, que estarei colocando aqui de forma extremista para que o leitor distinga claramente as visões:
Uma que interpreta as percepções mediúnicas no campo no “não-próprio”, como sendo afetados pela interferência direta dos outros, incluindo aí os desencarnados e encarnados. O termo energia é a forma de inter-relação, positiva ou negativa, afetando as forças físicas e mentais do médium principalmente. Essa visão, generalizando e levando ao extremo, é a que domina os ambientes espíritas, daí o foco e importância dada à obsessão.
Do outro extremo, encontramos a interpretação das percepções com sendo “próprios”, pertencentes ao campo íntimo e inconsciente do médium, como de qualquer indivíduo. Por mais que haja interferência externa, a projeção do mundo íntimo sobre o mundo exterior prepondera. Os meios inconscientes, como os sonhos ou transes mediúnicos, são canais de extravasamento do mundo íntimo, não trabalhados pelo consciente. Essa é a interpretação psicológica, descartando as indevidas generalizações.
É importante ressaltar que ambas as visões possuem vasto material de fatos, desmotivando os críticos menos aplicados a análises complexas.
Onde ficamos então? Parece não haver uma resposta tão direta, a não ser levar em consideração o “próprio” e também o “não-próprio”, como um meio eficiente de auto conhecimento. Assim como os corpos biológicos evoluíram para identificação imune, talvez o caminho da alma seja o mesmo: uma questão de individualização.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Apelo a vida

A doutrina hedonista que tanto é pregada pelos materialistas faz tornar lógico o ato de auto-aniquilamento. O hedonismo é a doutrina do prazer, é aproveitar a vida, mas quando algo " aberrador" acontece em nossa existência como problema de saúde, dificuldade financeira ou simplesmente a perda do gosto pela vida, logo se pensa: " para que sofrer? por que ter dor? vou me suicidar...
Grande parte dos hedonistas são materialistas, ou seja não acreditam na continuidade da vida e nem em um poder superior ao qual damos o nome de Deus. E como materialistas que são não acreditam haver felicidade fora dos prazeres da matéria. Para esses a morte é o fim de tudo.
Não acreditam e nem se sentem ameaçados com inferno, que de fato é incompatível com a sabedoria, a justiça e o amor de Deus. Daí haver um maior numero de pessoas que aniquilam a própria existência física no meio de Materialistas.
Mas eu questiono: “Será que tudo se finda com a extinção do corpo físico?
Será que essa porta, aparentemente tão sedutora, não nos leva para um precipício ainda maior ?"
Vamos supor, apenas supor:
Imagine que ao sair da vida pelo suicídio, vc descubra que é imortal. Saberá que embora, o criador tenha lhe facultado o direito de escolher essa escolha é limitada.
Deus de fato lhe dotou de livre - arbítrio. Mas a liberdade que ele outorga a suas criaturas está submetida a sua sabedoria.
É inconcebível para vc a continuidade de vida, mas vamos lá: " vc descobre que ainda vive e até pensa que está no corpo físico pois ainda continua a pensar, sentir, amar e etc... E descobre que a sua tentativa foi frustrada... vc busca outras maneiras de se matar, talvez ainda mais brusco. Entra na frente de um carro e esse o transpassa, sobe em um edifício e pula, mas, para sua decepção nada acontece e vc pensa ser apenas um sonho. Até um dia que vc encontra um mensageiro ou então alguém conhecido que o precedeu na viagem de além - tumulo e lhe diz: - Deus na sua sabedoria permitiu que vc despojasse o corpo de carne porque com essa experiência, muito dolorosa é verdade, vc poderia adquirir uma lição para toda a eternidade. E descobre ainda que a sua inexistência proveito algum lhe traria e quiçá mais amadurecido pela vida vc entenderá que Deus não permite que a sua criatura vá onde o seu amor não pode alcançar...
Mas se a vida de fato continua, terá vc que enfrentar as conseqüências de seu ato impensado, e entenda-se bem que não é castigo mas parte da lição, pois Deus não pune e nem recompensa mas dá a cada um segundo a suas obras, conforme assevera Jesus.
E como conseqüência de seu ato equivocado, e lembre-se isso é só uma hipótese, vc perceberá que o problema que o levou a fugir da vida é mesquinho e insignificante diante do remorso, do vazio e do sofrimento que experimentará n’alma.
Ainda perceberá que o problema era de fácil solução, que seria necessário apenas asserenar o ânimo e enxergar a situação com mais calma.
Notará também que as dificuldades não eram assim bicho de sete cabeças, mas oportunidades de engrandecimento e aprimoramento do ser.
Talvez note a dor, o sofrimento e a penúria dos entes-querido que ficaram, e com isso experimente o remorso por haver fugido da convivência de quem tanto amas.
E por que Deus faculta a benção do recomeço, terás um novo inicio, novas oportunidades de ser feliz. Talvez meu amigo seja essa mais uma das oportunidades que Deus lhe concede para ser feliz. Não desistas da vida, pois vida jamais desistirá de ti.
Encerro meu singelo lembrete com o convite do mestre Jesus:
“ Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vós aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para as vossas almas, pois suave é o meu jugo e leve é meu fardo. ( Mateus cap.11 vs. 28 à 30 )

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Evolucionismo: biológico e espírita

Um conceito amplamente usado, mas pouco compreendido, é o da evolução. Esse conceito foi desenvolvido juntamente com o surgimento da ciência moderna. No início do século XIX as primeiras teorias palpáveis foram desenvolvidas, buscando explicar as modificações das espécies ao longo do tempo, fatos observados das explorações paleontológicas que descobriam fósseis de espécies desconhecidas e que apresentavam semelhanças com as espécies atuais.
Lamarck, com sua lei do uso e desuso, explicava o fato da modificação das espécies pelas características conquistadas pelos indivíduos, como se o exercitar dos músculos, deixando-os mais fortes, poderia ser passada para geração seguinte, tendo filhos mais fortes. Cerca de cinqüenta anos mais tarde, apesar de muitas teorias elaboradas, somente Darwin e Wallace explicam o fato da modificação das espécies pela seleção de caracteres, ou seja, as características somente são modificadas entre gerações pela variabilidade que o processo de reprodução possibilita (ter filhos diferentes um do outro), e a posterior seleção (qual filho vai sobreviver e reproduzir).
Após esses autores as teorias foram sendo justificadas e complementadas por um ou outro fator não focado a época, mas em essência permaneceram as mesmas.
É importante notar que o conceito evolução não significa progresso. E isso já era entendido por Darwin, que tinha em sua caderneta, como lembrete, a diferenciação acima para evitar ver os fatos dessa forma idealista.
Esse entendimento é embasado nos exemplos observados da natureza, que toma caminhos aleatórios no desenvolvimento das espécies. Uma característica pode ser bastante complexa e progredida, porém pode ocorrer algum efeito aleatório que favoreça a reprodução, e, por conseguinte, a transmissão de características mais primitivas, como a extinção pela queda de um meteoro sobre a população que possuía tal característica mais progredida. Essa é uma das proposições da Teoria do Equilíbrio Pontuado, já na década de 1970, que analisa as modificações repentinas das espécies. Assim foi “aleatório” a extinção dos dinossauros que possibilitaram o desenvolvimento dos mamíferos e consequentemente da espécie humana, entre outros exemplos.
De forma bastante diferente é o conceito espírita de evolução, que se apropria do mesmo termo, porém entende a evolução como finalista, ou seja, tendendo ao progresso dos seres, do “átomo ao arcanjo”. Essa evolução, porém não passa pelas mesmas leis dos corpos biológicos descritas acima, parecendo ser regida por acúmulos de experiências.
Ainda que não se entenda completamente a relação espírito-corpo e as influências mútuas de evolução, parece-nos que o mesmo termo não deva ser usado por levar a maus entendimentos e comparações indevidas. Esses maus entendimentos levaram a criação da teoria do Darwinismo Social na primeira metade do século XX, buscando justificar as questões sociais pelas leis biológicas. Um erro que exemplifica a inviabilidade de certas comparações.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O que os paulistas buscam?

Ontem foi divulgada uma pesquisa sobre os temas de interesse do público paulista (http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2008/07/30/sobre-a-percepcao-publica-da-ciencia), principalmente em relação à Ciência e Tecnologia.
É interessante analisarmos com quem estamos dialogando na sociedade, já que principalmente para a divulgação das ideias espíritas, usar a postura adequada, ajuda no entendimento mútuo. Será que as instituições espíritas, de um modo geral, estão correspondendo aos anseios do público atual, ou ainda falam a linguagem da sociedade mística brasileira da primeira metade do século XX?
A pesquisa divulgada demonstra uma clara busca dos indivíduos por informações que acresçam seus conhecimentos, repudiando futilidades e misticismos.
Os temas de maiores interesses são Alimentação e Consumo (83,3%), Medicina e Saúde (80,9%), Meio Ambiente e Ecologia (76%) e Esportes (65,4%), seguidos por Ciência e Tecnologia (63,4%) , Política (21,1%), Economia e Empresas (43,3%) e Cinema, Arte e Cultura (58,7%).
Talvez a informação que mais deveríamos atentar é para alta rejeição declarada a temas como astrologia e esoterismo, uma clara demonstração de que as explicações palpáveis e lógicas são os anseios da maioria da sociedade, que apesar de não aprofundarem nos temas de interesse (segundo a pesquisa), consideram as informações relevantes.
Essa percepção também era de Allan Kardec, já em 1857, que na introdução de "O Livro dos Espíritos" declarava que se [o livro] não convencesse os leitores, pelo menos saberiam que se tratava de estudos sérios, com fatos palpáveis e lógicos: claramente pensava nos anseios do público.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Psicologia pra quê?

Ainda me lembro do espanto de muitos quando o Espírito de Joana de Ângelis começou a escrever obras de cunho psicológico através do médium Divaldo Franco. Ouvi coisas do tipo: "Qual será a intenção real deste espírito...", "Pra que relacionar Psicologia com Espiritismo? Díficil de ler, qual a utilidade?". O tempo demonstrou que Joana conhecia a necessidade do público, pois tais comentários partiram de pessoas que se revelaram melindrosas, neuróticas e ciclicamente capazes de causar todo tipo de problema de relacionamento. Se afastavam inconcientemente destes livros pelo risco de revelarem o que ignoravam, no caso, a própria sombra. Utilizo o termo no sentido junguiano, isto é, como o aspecto negativo da personalidade. Este aspecto quando não reconhecido em si mesmo, é projetado e observado pelo indíviduo como se fossem defeitos do outro. Não foi difícil perceber que certas pessoas "boas demais" eram demasiadamente irrítaveis e que os colaboradores de "bom-senso" tomavam todo cuidado para não "incomodá-las". É evidente que temos sempre um olhar complacente para tais atitudes, afinal, a pessoa é "tão boa", faz tanta "caridade", "não vale a pena criticá-la por esses momentos infelizes". Para encobrir os efeitos negativos utilizava-se a expressão "energia". A pessoa não foi grosseira, estúpida ou autoritária, mas sim agiu "com energia". Ninguém medita no efeito disso a longo prazo: o sujeito começa a acreditar que não comete mau algum.
Me recordei dessas experiências após ouvir a dor sincera de um amigo evangélico, que assim se expressava: "Como pôde ser tão falso durante tanto tempo? Encobrir tamanha monstruosidade com atos de caridade?" Ele lamentava o fato do lider maior de sua comunidade religiosa ter sido preso, depois de descoberto seus crimes de pedofilia. Ficou revoltado porque tentei compreender o comportamento do religioso americano, a quem se referia. Afinal, argumentei, que fez este homem senão considerar a bondade como sendo um conjunto de atos imitáveis, um pacote de comportamentos exteriores, gestos sem-fim de dedicação à sua comunidade? Pensou haver vencido o mal porque atribuiu um nome para ele. Há espíritas que fazem o mesmo, só que ao invés de "diabo" se referem a obsessores ou pessoas problemáticas, de quem devem se afastar. Há os que acreditam que egoísmo, orgulho e luxúria são pecados dominados porque conseguimos apontá-los no outro. Pois esta mesma comunidade ingrata se esqueceu do quanto seu líder sufocou conflitos íntimos, abafou silenciosamente o "demônio" dentro de si e acreditou plenamente nos elogios do público para conseguir direcionar sua energia. Quem pode negar o bem que adveio disso? Para se conhecer, e talvez evitar a própria queda, teria de "perder" um tempo precioso atentando para seu mundo inconsciente, que devia se expressar através de fobias e irritações, além de sonhos perturbados e recorrentes. Provavelmente entraria em dilemas profundos, o que amainaria sua produção social. Perderia prestígio no presente para ganhar equilíbrio no futuro. Mas como a psiquê tem suas próprias leis, uma hora o religioso foi pego em seu crime compulsivo, numa situação que ele próprio devia lamentar todos os dias, por estar muito acima de suas forças conseguir evitá-la. Não sabia que, no campo psicológico, todo extremo provoca seu contrário, tornando toda dedicação cega a uma virtude um convite para a devassidão oposta.
Meu amigo ouviu assustado e rejeitou sumariamente a interpretação, apesar de estudar psicologia. "Aquele homem é uma víbora, um falso profeta, um lôbo em pele de cordeiro" - concluiu. E pensei comigo: "Realmente, psicologia para quê, se já temos palavras tão "evangélicas" para julgar nosso próximo?"

domingo, 20 de julho de 2008

Não sei, só sei que foi assim...

A expressão é conhecida por todo brasileiro graças ao divertido personagem de "O Auto da Compadecida" que expressa sua compreensão dos acontecimentos através desta frase: "Não sei, só sei que foi assim...". Sempre que lembro do dito fico a pensar como o mesmo reflete uma postura típica de acomodação que prevalece em muitos.

Jung cita um exemplo simples, mas significativo, de como o ocidente deixou de lado questões relevantes ao atribuir todas as respostas à Causalidade: Dois homens se encontram num barco. Ambos pescam calados, concentrados na atividade. Bruscamente um crocodilo os assalta, atacando e levando à morte um dos pescadores. Mas que azar! diria o homem ocidental. Que fatalidade! Explicação: os dois estavam na mesma condição, havia uma probabilidade de 50% daquele pescador morrer. A Causa, portanto, foi apenas a fome do bicho. Mas Jung nos pede atenção à resposta do primitivo para a questão: porque o crocodilo comeu aquele homem e não o outro? Explicam dizendo que um espírito tomou o animal para matar aquele homem, isto é, atribuem o ocorrido ao fato daquela pessoa estar amaldiçoada por um feitiço local. Podemos rir, na nossa ignorância, desta resposta "primitiva", mas temos de confessar, ao menos, que se trata de uma tentativa de explicação para o problema que ficou de lado, isto é, a fome do animal é apenas uma dos aspectos da tragédia e não explica a totalidade do acontecimento.


Recentemente assisti um vídeo de uma filmagem real onde um sujeito atira no outro até descarregar o revólvel. Este consegue evitar todos os tiros se escondendo, através de esquivas, atrás de uma árvore. Detalhe: a distância entre os dois era menor que dois metros. Temos, ao menos, que questionar, à maneira do homem primitivo, se neste caso a pessoa não estava "abençoada," pois conseguiu evitar uma morte mais que provável sob qualquer perspectiva.

O homem culto rí discretamente dessas explicações "infantis", mas que resposta ele dá para sua esposa quando seu filho morre com uma bala perdida dentro de sua própria casa? Que era uma probabilidade? De que forma ele se consola ao ver que sua filha foi morta e estuprada depois de ser deixada a uma quadra de casa vindo da escola? É evidente que ninguém busca apenas culpados (?) por essas situações e a procura pelas religiões comprova a necessidade comum de um "algo mais". Mas mesmo os religiosos insistem em colocar no ombro dos homens a culpa de todas as tragédias, como se isso resolvesse o problema. Argumentam: "Foi negligencia, imprudência, irresponsabilidade... Se você está na Terra então está sujeito a todas as vicissitudes deste planeta, tudo serve como aprendizado". Me pergunto: "Que tipo de justiça existe em sofrimentos iguais para pessoas diferentes?";"Será que não posso evitar certas situações por fazerem parte de uma organização geral, ou será que as situações só ocorrem dessa forma porque eu sou um dos seus componentes?" Prefiro pensar que nem as religiões e nem a ciência estão olhando com a devida seriedade para estes dilemas. Mais sábios seriam guias e cientistas se assumissem ignorância e respondessem com humildade: "Não sei, só sei que foi assim..." e retomassem as perguntas "ingênuas" e "inconvenientes", mas que se mostram primordiais toda vez que a vida dá uma rasteira em nossa razão fria e demonstra o quanto as coisas não estão sob o nosso controle só porque achamos ter encontrado uma explicação lógica para elas.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Vida após a morte?


Desde minha adolescência tenho interesse sobre o tema. Passei a conversar com diversas pessoas sobre o assunto, combinávamos que quem morresse primeiro, caso houvesse possibilidades, procuraria algum jeito de dar mostras ostensivas de que continuava vivo. Algumas delas já morreram!!!

Sei que este assunto também é de interesse de muitas pessoas, uma vez que milhares de individuos recorrem à mediuns ou organizações espiritualistas com objetivos de provas para fortalecimento de sua fé ou para conforto de seus corações.

Durante alguns anos estudei e participei de reuinões mediúnicas, hoje estou junto à um grupo de amigos, realizando pesquisas experimentais sobre a comunição com os espíritos.

Gostaríamos que outras pessoas entrassem em contato conosco informando sobre percepções mediúnicas ou extra-sensoriais, à fim de trocarmos esperiências, colhermos material para pesquisa. Aguardamos contato, objetivo ou não!!!

Mas que povo é esse?!

Pode parecer estranho aos leitores, e até mesmo para os colaboradores deste blog, uma indefinição sobre que “ismo” estamos tratando: seria Espiritismo? Esoterismo? Mediunismo? Religiosismo? Cientificismo?!
Ocorre que para os colaboradores, cedo ou tarde, lidar dentro dos ambientes espíritas passou a não ser tão produtivo, pelo menos da forma tradicional de se estudar os assuntos ligados à realidade espiritual.
Então, para que os leitores saibam com que “povo” estão lidando, podemos, para fins de comunicar melhor, definir-nos como espiritualistas livre pensadores, já que qualquer rótulo mais específico implicaria, para muitos, na impossibilidade da crítica mais severa aos métodos e paradigmas.
Não buscamos experiências místicas, transcendentais, mas sim experiências tão livres quanto possíveis no campo da prática e teoria. Ainda que isso seja um tanto quanto utópico.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Pode não ser seu caso, mas com certeza é o nosso !!!

  • Se você já participou de uma reunião mediúnica e sentiu que seria necessário uma grande dose de boa-vontade para aceitar os fenômenos como verdadeiros;

  • Se você já ouviu uma comunicação mediúnica e sentiu-se constrangido por ninguém perguntar o nome do espírito;

  • Se você frequentou várias reuniões de "desenvolvimento mediúnico" que se tornaram eternas reunioes de desenvolvimento;

  • Se você já mergulhou em dúvidas profundas, mas os presentes se sentiram incomodados pelo ato de você simplesmente questionar;

  • Se você não se conforma com as respostas que costumeiramente são dadas para questòes relacionadas a: destino, causalidade, acaso, desigualdade, fatalidade, sofrimento e felicidade...

  • Se você está em busca de um espaço de relacionamento para trocas de idéias sérias, aberto a dúvidas e apontamentos, compreendendo a diferença entre isto e a simples imposição de idéias para satisfação do orgulho pessoal;

  • Se você se identifica com esses sentimentos e situações, então participe conosco.

Nosso objetivo se resume em abrirmos espaço para experiências e idéias que, apesar de serem diferentes, podem abrir portas para novas percepções e conhecimentos. Não acreditamos que isto, em si, nos torne melhores ou piores, temos apenas a certeza de que essa é a necessidade para o nosso caso. Se não for a sua, respeitamos e esperamos reciprocidade no respeito.