sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Evolucionismo: biológico e espírita

Um conceito amplamente usado, mas pouco compreendido, é o da evolução. Esse conceito foi desenvolvido juntamente com o surgimento da ciência moderna. No início do século XIX as primeiras teorias palpáveis foram desenvolvidas, buscando explicar as modificações das espécies ao longo do tempo, fatos observados das explorações paleontológicas que descobriam fósseis de espécies desconhecidas e que apresentavam semelhanças com as espécies atuais.
Lamarck, com sua lei do uso e desuso, explicava o fato da modificação das espécies pelas características conquistadas pelos indivíduos, como se o exercitar dos músculos, deixando-os mais fortes, poderia ser passada para geração seguinte, tendo filhos mais fortes. Cerca de cinqüenta anos mais tarde, apesar de muitas teorias elaboradas, somente Darwin e Wallace explicam o fato da modificação das espécies pela seleção de caracteres, ou seja, as características somente são modificadas entre gerações pela variabilidade que o processo de reprodução possibilita (ter filhos diferentes um do outro), e a posterior seleção (qual filho vai sobreviver e reproduzir).
Após esses autores as teorias foram sendo justificadas e complementadas por um ou outro fator não focado a época, mas em essência permaneceram as mesmas.
É importante notar que o conceito evolução não significa progresso. E isso já era entendido por Darwin, que tinha em sua caderneta, como lembrete, a diferenciação acima para evitar ver os fatos dessa forma idealista.
Esse entendimento é embasado nos exemplos observados da natureza, que toma caminhos aleatórios no desenvolvimento das espécies. Uma característica pode ser bastante complexa e progredida, porém pode ocorrer algum efeito aleatório que favoreça a reprodução, e, por conseguinte, a transmissão de características mais primitivas, como a extinção pela queda de um meteoro sobre a população que possuía tal característica mais progredida. Essa é uma das proposições da Teoria do Equilíbrio Pontuado, já na década de 1970, que analisa as modificações repentinas das espécies. Assim foi “aleatório” a extinção dos dinossauros que possibilitaram o desenvolvimento dos mamíferos e consequentemente da espécie humana, entre outros exemplos.
De forma bastante diferente é o conceito espírita de evolução, que se apropria do mesmo termo, porém entende a evolução como finalista, ou seja, tendendo ao progresso dos seres, do “átomo ao arcanjo”. Essa evolução, porém não passa pelas mesmas leis dos corpos biológicos descritas acima, parecendo ser regida por acúmulos de experiências.
Ainda que não se entenda completamente a relação espírito-corpo e as influências mútuas de evolução, parece-nos que o mesmo termo não deva ser usado por levar a maus entendimentos e comparações indevidas. Esses maus entendimentos levaram a criação da teoria do Darwinismo Social na primeira metade do século XX, buscando justificar as questões sociais pelas leis biológicas. Um erro que exemplifica a inviabilidade de certas comparações.

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