domingo, 24 de agosto de 2008

Uma questão de consciência

Há psicóticos que nunca mataram uma mosca, refugiando em si mesmos e há psicopatas capazes de massacrar populações inteiras.
Há esquizofrênicos que ouvem vozes acusadoras e se perturbam na própria culpa enquanto outros, no auge de suas alucinações, que cometem assassinatos ou se suicidam.
Há desequilíbrios hormonais que explicariam o excesso de excitação de alguns estupradores, os ataques de fúria de alguns setenciados e a depressão destrutiva dos que buscaram o fim da própria vida, depois de matarem outros.
Milhares de pessoas aderiram ao ideal nazista, coadunando direta ou indiretamente com as barbáries durante a Segunda Guerra, assistindo de perto os absurdos dos campos de concentração, enquanto outros se negaram a participar de tudo isso, refugiando-se ou morrendo para expressar oposição àquela loucura.
A justiça por diversas vezes de vê diante da necessidade de analisar o grau de responsabilidade de um acusado , alegando a existência de outros que, diante da mesmo problema, contexto ou doença, conseguiram agir de forma diferente, evitando crimes e crueldades.
Afirma o Livro dos Espíritos, a liberdade do espírito de poder sempre evitar o mal, ou pelo menos, resistir a ele.
Cada homem, cedo ou tarde, se depara com essa questão, no próprio íntimo, e se pergunta: será que devo, será que posso, será que vou conseguir me segurar?
Fala-se de consciência como se o assunto fosse fácil. "Siga sua consciência" - é uma recomendação sábia, mas também pode ser muito cômoda. Prefiro enfrentar o problema junto com o outro, analisar seus sonhos, escutar suas opiniões, deixâ-lo expressar seus conflitos, rever caminhos e sentimentos. E se depois de tudo isso a pessoa fizer aquilo que eu julgava o mau, não exitarei em respeitá-la e ajudá-la na estrada que optou, pois só Deus sabe porque nos fez dessa forma e nos colocou numa Terra onde é tão difícil fazer a coisa certa.

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