quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Próprio e não próprio

Uma das áreas mais interessantes da biologia certamente é o estudo imunológico. Um complexo sistema para reconhecer o que é próprio, ou seja, o que pertence ao meu corpo, e o que não é próprio, como outros seres ou qualquer matéria. Essa identificação, porém não é tão certeira, tendo vezes que o corpo reconhece como estranhas as próprias células, gerando as doenças auto-imunes. Outras vezes esse mesmo sistema não reconhece corpos estranhos, dando brechas para instalação de doenças. Parece que no campo psíquico, também, a grande luta da alma humana é buscar o reconhecimento do próprio e não-próprio.

Ainda ontem em nossa reunião de estudos, conversávamos sobre a questão mediúnica, sobre percepções e o que interpretar dessas percepções. Duas visões se formaram, obviamente pautadas na experiência mediúnica, ou não, de cada um, que estarei colocando aqui de forma extremista para que o leitor distinga claramente as visões:
Uma que interpreta as percepções mediúnicas no campo no “não-próprio”, como sendo afetados pela interferência direta dos outros, incluindo aí os desencarnados e encarnados. O termo energia é a forma de inter-relação, positiva ou negativa, afetando as forças físicas e mentais do médium principalmente. Essa visão, generalizando e levando ao extremo, é a que domina os ambientes espíritas, daí o foco e importância dada à obsessão.
Do outro extremo, encontramos a interpretação das percepções com sendo “próprios”, pertencentes ao campo íntimo e inconsciente do médium, como de qualquer indivíduo. Por mais que haja interferência externa, a projeção do mundo íntimo sobre o mundo exterior prepondera. Os meios inconscientes, como os sonhos ou transes mediúnicos, são canais de extravasamento do mundo íntimo, não trabalhados pelo consciente. Essa é a interpretação psicológica, descartando as indevidas generalizações.
É importante ressaltar que ambas as visões possuem vasto material de fatos, desmotivando os críticos menos aplicados a análises complexas.
Onde ficamos então? Parece não haver uma resposta tão direta, a não ser levar em consideração o “próprio” e também o “não-próprio”, como um meio eficiente de auto conhecimento. Assim como os corpos biológicos evoluíram para identificação imune, talvez o caminho da alma seja o mesmo: uma questão de individualização.

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